Sobre a queda do diploma em Jornalismo
Como muitos sabem e acompanharam, hoje foi a votação pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para definir se o diploma de formação em Jornalismo seria considerado obrigatório ou não no Brasil. O tema foi amplamente discutido aqui na blogosfera e gerou comentários os mais interesses, os mais críticos e os mais pífios também. Alguns jornalistas argumentam a favor, outros contra. Outros blogueiros não-jornalistas defendem a derrubada da exigência de diploma enquanto que alguns jornalistas pontuam a fragilidade na defesa da própria classe a partir de agora.
Eu confesso que sou um dos muitos que defendem a queda da obrigatoriedade do diploma, usando dos mesmos argumentos também utilizados pelos excelentíssimos ministros do STF. A atividade de fazer Jornalismo é mais do que técnica. É uma atividade intelectual. É o ato de entender um quadro de notícias e fatos, interpretá-los e fazê-los compreensíveis para o público. É a arte de se fazer transparente, ético e contribuir positivamente para a sociedade. Comprar o diploma e trabalhar na mídia de massa implicando com frivolidades ou instigando a confusão não é jornalismo.
Obviamente não tiro o mérito de quem passa quatro anos na Faculdade de Jornalismo e se empenha durante o curso. A qualidade técnica da atividade é algo que para os não-formados na prática e que pretendem enveredar por essa carreira se tornará um obstáculo, embora transponível. Além disso, não nego que com a queda da obrigatoriedade do diploma talvez se fragilize o aporte legal e o respaldo jurídico que a profissão possui atualmente. Isso, de fato, é algo que precisa ser melhor explicado e debatido.
Eu entendo também que o Jornalismo apesar do caráter denunciante e factual, não pode deixar de ser diplomático e repleto de bom senso por parte dos jornalistas. No entanto, o que se vê atualmente é que a atividade se “comoditizou”, no sentido de que qualquer diplomado em jornalismo – usando o mesmo termo citado por muitos jornalistas-twitteiros enfurecidos sob a hashtag #diploma durante o dia – venha a assumir uma posição de formador de opinião e assim dominar a população.
Se pararmos para pensar minuciosamente, considerando a intelectualidade necessária à atividade jornalística, à produção textual e à criação de discursos, o rompimento do diploma é algo positivo. Digo isso pois quebrando tal paradigma é possível que outras pessoas, com brilhantismo igual ou superior a muitos jornalistas por aí, venham a ingressar nesse meio e participar na criação de um jornalismo bom e democrático.
Claro que muitos picaretas vão surgir. Seria tolice tapar os olhos para isso e duvidar da própria capacidade de um jornalista em julgar o que é bom e o que não é. O que me revolta porém é o repúdio sem cabimento e sem argumentos convincentes de alguns dos jornalistas que se manifestaram no Twitter. Foram no mínimo anti-éticos, para usar uma palavra da moda. Mas não citarei nomes aqui
Outros jornalistas que sigo, em contrapartida, que admitiram a defesa contra a queda do diploma foram educados, inteligentes e mostraram seu ponto-de-vista convictamente. Esses eu considero jornalistas de verdade, ao contrário das palavras de escárnio proferidas pelos pseudo-jornalistas twitteiros, tentaram mostrar aos seus leitores e ouvites os malefícios da decisão do Supremo em sua opinião. Atitudes que ajudam na discussão serão sempre bem-vindas, e eu garanto que profissionais de verdade persistirão no mercado de trabalho de jornalismo no Brasil e se destacarão, com ou sei obrigatoriedade de diploma.
No final das contas, a competitividade aumentará e somente os profissionais permanecerão no mercado. Picaretas surgirão, modelos e artistas virarão jornalistas e muito mais pode acontecer. No entanto, a maneira de se entender o Jornalismo vai mudar. Aliás, aos poucos a gente percebe que o jornalismo está mudando, não acham?
Para os que possivelmente se interessaram ou questionaram: não sou jornalista, apesar de ser apaixonado pela profissão e convicto de que um dia eu cursarei a graduação de Jornalismo com ou sem obrigatoriedade de diploma. Bom, era só isso que eu queria falar
Cheers!





















