O que eu devo fazer para me tornar um jornalista?

Eu pensei em realizar um desafio esse ano. O desafio de tentar colaborar mais “jornalisticamente” para minha vida profissional e correr atrás de meu sonho de me tornar um jornalista. É mais que um sonho, na verdade: é uma paixão.

A maioria das pessoas que me conhece, seja presencialmente ou em redes sociais, sabe o quanto eu sou apaixonado por Jornalismo. Alguns até mesmo me consideram jornalista, talvez por eu deixar meu interesse explícito ou pelo meu trabalho no Global Voices. No entanto, [in]felizmente sou formado em Turismo, mas essa história contarei em um momento mais oportuno.

Após uma tentativa falha de ingressar no mestrado na UFRGS, mais uma vez voltei a pensar em fazer uma graduação em Comunicação com Habilitação em Jornalismo. Assim especificamente. Não quero publicidade nem relações públicas. Obviamente não vou desistir do mestrado em outras instituições e até mesmo na UFRGS e tentarei novamente, mas independentemente da obrigatoriedade do diploma ter caído, cada vez mais eu sinto que posso contribuir para um jornalismo diferente, ou talvez aprender técnicas jornalísticas para buscar outros sonhos, e fazer voos mais altos.

Mas ao mesmo tempo me pergunto se mais quatro anos de minha vida são um preço justo a se pagar por uma formação extra. Certa vez eu li em uma reportagem do Universia que duas graduações só valem a pena se a pessoa conseguir conciliar as duas profissões. Dos meus sonhos de jornalista, penso em ter meu próprio programa documentário — tipo o GlobeTrekkers — e mostrar as belezas naturais e culturais espalhadas pelo mundo; mas ao mesmo tempo penso que poderia contribuir muito mais como um repórter em uma TV ou escrever para jornais e revistas. Indecisão.

De qualquer forma, terei de fazer essa decisão esse ano. Logo em breve. Seguir uma carreira acadêmica me fascina, mas a Academia atualmente se encontra em estado vegetativo. E não quero viver em um mundo platônico, por mais que eu goste dessa ideia. Quero agir. Quero fazer algo para contribuir efetivamente na vida das pessoas. Quero seguir meus sonhos, sempre. 2010 vai ser o ano que seguirei meus sonhos, como prometi em minha resolução de ano novo. O melhor disso tudo é que não há metas, mas sim um processo interminável e prazeroso. Afinal, fazer aquilo pelo qual se tem paixão é ótimo, não?

Pois é, Jornalismo. Não aos céticos, não aos empecilhos. Esse ano vou de fato tentar começar minha carreira de jornalista.

Chamada para #MegaBlogagem #ProjetoEnchentes

Convoco-os a colaborarem para o Projeto Enchentes, uma iniciativa da @cristalk que surgiu no Twitter, após a sensibilização pública com os recentes eventos de enchentes noticiados em todo o Brasil desde o último mês, mas que são, de fato, acontecimentos que ganham destaque na mídia todos os anos, sempre negligenciados pelas autoridades públicas.

A @cristalk mobilizou um grupo de pessoas para o projeto, que tem como objetivo principal não somente a doação, mas sim a prestação de um serviço de informação e colaboração. Portanto a doação está contido nisso.

O @ikegalli criou o mapa das enchentes. O mapa é PÚBLICO!! Por isso, mobilize seus contatos no Twitter, blogs e outras redes sociais e os incentivem a colaborar com qualquer informação sobre enchentes no Brasil.

Acompanhe as hashtags do projeto no Twitter;

Acompanhe a Wave pública no Google Wave;

Saiba como fazer doações.

Acompanhe os blogs e portais que falaram sobre o projeto:

  1. Laura Vive: Vamos Ajudar também?
  2. Que Mundo Doido: Você pode ser um elo na corrente da mudança!
  3. AchaNotícias: Web-ativistas criam rede solidária para evitar tragédias e ajudar vítimas de impactos climáticos
  4. Músicas, Redes Sociais e Blábláblá: União online pelas vítimas das enchentes #projetoenchentes
  5. QueridoLeitor: Twistórias – Solidariedade
  6. Marisa Rodrigues: Minhas Férias Foram Morro Abaixo
  7. Meu Lugar SP: Enchentes – Mobilização
  8. Plantão Online: Projeto Enchentes: como ajudar as vítimas através das redes sociais
  9. BlueBus: O ano com o pé esquerdo – mas tem o ‘projeto enchentes’ no Twitter | link
  10. Global Voices Online: Brazil: Net-citizens unite to track floods
  11. Global Voices em Português: Brasil: Internautas se unem para registrar enchentes
  12. Global Voices en Français: Brésil: Les internautes s’unissent pour informer sur les inondations
  13. IDGNow: Redes sociais são usadas para ajudar vítimas das enchentes
  14. Estadão/Link: Como as redes sociais podem ajudar em uma tragédia?
  15. Cidade Marketing: Internautas usam redes sociais para ajudar vítimas de enchentes
  16. Época Negócios: Internautas usam redes sociais para ajudar vítimas de enchentes
  17. Paisagem Fabricada: Angra: como as redes podem ajudar?
  18. VivoVerde: Quando as redes sociais atingem sua finalidade.
  19. BlogWorldOnline: Redes sociais são usadas para ajudar vítimas das enchentes
  20. Resolve Tecnologia: Redes sociais são usadas para ajudar vítimas das enchentes
  21. Elogios por Dia: Projeto Enchentes
  22. R7: Brasileiros criam rede social para orientar sobre enchentes

    Blogs para continuar lendo em 2010 #FF*

    Feliz Ano Novo a todos! Em meio a resoluções, talvez uma das mais importantes é se dedicar mais aos meus blogs e fazer mais as coisas, deixando de elocubrar sobre decisões e acabar se perdendo em pensamentos. Isso inclui começar e concluir blog posts, por menores e mais simples que sejam. Em 2010, quero terminar tudo aquilo que comecei, ou ao menos terminar a maioria das tarefas que começarei.

    Ao invés de fazer uma retrospectiva 2009 sobre a blogosfera brasileira, quero listar alguns blogs que trouxe comigo para 2010. Continuarei a ler esses blogs pelos mais diversos motivos, mas principalmente porque cada um deles me ensina alguma coisinha que levo para minha vida profissional, acadêmica ou até mesmo pessoal.

    • QueroTerUmBlog: O Alessandro Martins dá dicas exclusivas para iniciantes em blogs, muitas das quais também servem para veteranos. Não me considero um blogueiro veterano. Não sou daqueles que estão na Internet escrevendo desde o surgimento do blogger ou outros sites do tipo, mas por amar de paixão a blogosfera acredito que sempre me considerarei um blogueiro em estado BETA.
    • Síndrome de Estocolmo: Descobri o blog da Denise Arcoverde em 2009. Adorei seu blog por ser simples e sem pretensões. A Denise narra alguns acontecimentos de sua vida de forma bastante curiosa e que me cativa. Além disso, ela é uma pessoa muito antenada e bastante politicamente correta.
    • Trezentos (300): O Trezentos é um blog coletivo com diversos autores de diversas áreas. Aqui você encontra jornalistas, blogueiros, pesquisadores, tradutores, músicas, engenheiros, empreendedores, ambientalistas, ativistas, etc. Enfim, há gente de todos os tipos e gostos, o que confere ao Trezentos um diferencial na blogsfera brasileira: diferentes perspectivas em um só lugar.
    • Global Voices Online: Como sempre puxo a sardinha para o Global Voices, hehe. Enfim, conheci o GV em 2009, e definitivamente levarei ele para 2010. Foi o ano em que me tornei autor voluntário e tradutor, e consequentemente foi o ano que me tornei Lingua Editor do Global Voices em Português. Tudo assim bastante rápido. O GV me proporcionou conhecer pessoas muito legais e expandir meus horizontes ainda mais!
    • Tsavkko – The Angry Brazilian: O autor do blog, o Raphael Tsavkko, é um rapaz impressionante, e seus pitacos e considerações a respeito da política internacional são deveras interessantes. Às vezes o considero um tanto inflamado (:P) mas vale a pena ler seus textos e aprendo muito com ele. Não levar esse blog para 2010 seria tolice.

    Minha lista de leituras é imensa, portanto não colocarei todos os blogs que continuarei acompanhando em 2010, mas podem saber que serão vários. Eliminarei alguns blogs fúteis de tecnologia, que nada acrescentam e só fazem copiar conteúdo dos blogs estrangeiros e traduzir duas ou três linhas de texto. Aos interessados, meus favoritos se encontram no Delicious (lista bastante desorganizada, por sinal).

    De qualquer forma, há muito o que fazer nesse novo ano. Será um ano de muito ativismo e muitas mudanças. O primeiro dia do ano já foi bastante agitado, e com certeza isso se refletirá de maneira positiva para os que lutarão por melhoras na carreira em 2010. Este é o meu foco.

    Em tempo: muita gente tem salientado que não é possível manter nossas resoluções de ano novo, e que a maioria das pessoas logo as esquecerá em março. Entretanto, talvez devamos focar no processo e não na resolução em si: é muito mais prazeroso. Para esse 2010 eu fiz uma resolução mestra de buscar meus sonhos. Pode parecer generalista, mas representa um momento peculiar em minha vida; um momento de felicidade plena. Buscar sonhos é um processo interminável e eternamente prazeroso. Em 2010, quero distância dos sapos!

    * Esse é meu Follow Friday especial de 2010. =)

    Por uma Cultura Creative Commons

    Há muito tempo queria escrever sobre isso. Enquanto escrevo esse post, coloquei na playlist o disco homônimo da banda sound of jack, que disponibilizou suas músicas através do site Jamendo, uma iniciativa francesa de compartilhamento de conteúdo musical sob licenças Creative Commons. A banda sound of jack mistura um pouco de jazz com disco e eletronica, cantam em inglês, francês e espanhol sob a direção de uma vocal doce e forte; uma cantora que canta com alma, de tão forte que é sua entonação. O que isso tem a ver com o post? Quero discutir aqui algo um tanto mais amplo e consideravelmente negligenciado: a cultura Creative Commons.

    Atualmente há vários projetos de lei, acordos, e tentativas diretas e incisivas de limitar a liberdade de expressão e compartilhamento na Internet. É fácil se tornar avesso a essas tentativas (deveras nefastas) de cercear o “livre direito de compartilhamento” e usufruto de conteúdo digital, já que muitas pessoas atualmente utilizam a rede como fonte de entretenimento. Mas se boa parte desse conteúdo ainda faz parte de um modelo de negócios perfeitamente estabelecido mundialmente, o copyright, por mais que balbuciemos, reclamemos e pestanejemos, o rendimento das grandes empresas por trás desse negócio ainda serão elevados e o sistema continuará intocável.

    Apesar de John B. Thompson, em A Mídia e a Modernidade, e outros autores em centenas de obras dedicadas ao estudo da mídia e da economia através da modernidade acordarem sobre o copyright ter sido instituído devido a tecnologia de produção de cópias do conteúdo ser limitada no início do mercado de consumo de mídias, e portanto a proteção dos mercados era uma necessidade evidente pois a cópia indevida de uma obra resultaria em prejuízo para os produtores originais por terem investido para criar seus produtos, até algumas décadas atrás esse pensamento era perfeitamente racional, mas a difusão de tecnologias que permitem fazer cópias facilmente e a propagação do formato digital eliminam a necessidade do copyright.

    creativecommonsNo entanto, o copyright ainda é mainstream. Pouco mais de 25% da população mundial tem acesso a Internet, segundo o Internet World Stats. Levando em conta que a maioria dessas pessoas não necessariamente usa P2P, surge um desafio para a comunidade que defende o compartilhamento em convencer todo o resto dessas pessoas e à indústria sobre o uso e difusão da cultura Commons. É difícil combater a apropriação simbólica do capital, e somente romper as barreiras legais do copyright com o “download ilegal” não é suficiente: é preciso estratégias para divulgar o conteúdo Commons e defensores desse ideal, além de, arrisco dizer, incentivo governamental para sugerir alternativas criativas de uso de conteúdo em escolas, universidades e no espaço público em geral.

    A cultura Commons pode sim ter qualidade. É uma fonte riquíssima de criatividade individual e coletiva, mas quais são as alternativas reais para que o mesmo ritmo de compartilhamento do conteúdo sob direito autoral exista no âmbito da cultura Commons? A comunidade do software livre talvez seja a única parcela da sociedade que luta efetivamente para expandir seu mercado e tem conquistas reais, enquanto que a cena de música independente é deveras pequena. Nem arrisco palpitar sobre os filmes e documentários livres, pois com certeza o mercado ainda deve ser bastante diminuto.

    Conteúdo musical e filmes de fato tornam essa discussão um tanto mais complicada. Como imbuir na mente das pessoas que o conteúdo livre pode satisfazê-las no mesmo nível que um conteúdo protegido? Como superar os desafios para a música livre como diz Eduardo Maçan, e fazer com que a música livre se estabeleça enquanto um movimento único? Veja bem, não quero propor um cenário tomado somente pela cultura Commons. Acho que isso é até impossível atualmente, afinal nenhuma empresa da indústria de entretenimento quer perder seus valiosos lucros, não é mesmo? Mas o que quero dizer é que não há expressividade ou equilíbrio entre conteúdo livre e conteúdo protegido.

    Durante o Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira eu e o João Carlos Caribé conversamos e entrevistamos (depois postarei o vídeo) o cineasta Jamie King (Steal This Film, 2006). O Jamie trabalha com o VODO, um site que distribui documentários e outros filmes de cineastas e produtores que concordam com a cultura livre e a espontânea contribuição financeira dos downloaders. Assim eles se descrevem:

    vodoVODO creators see the advantage of having millions of potential viewers, and they’re prepared to work with us to try to persuade downloaders (like you!) that voluntary donations are part of the future of funding creative work online.

    O modelo de negócios do VODO pode ser parte de um futuro da Internet livre. Apesar disso, ainda há muita demagogia no modo o qual o usuário comum lida com o conteúdo. Eu particularmente sempre busco alternativas livres de software e exploro dicas de vídeos e músicas livres em trackers e sites para downloads gratuitos. Há ainda alternativas bastante curiosas que cada vez mais crescem na web e tentativas de popularizar a compra de conteúdo digital a preços menos exorbitantes. Mas, mais uma vez, ainda não é possível viver somente de conteúdo Commons. O que será preciso para mais pessoas investirem nisso? Inclusive no consumo de Commons?

    É preciso agir sob a forma de consumidor e distribuidor desse tipo de conteúdo. A Blosque, por exemplo, possui um ótimo site para pessoas que querem aprender o blogar, e visto que todo blogger acaba vez ou outra precisando de conteúdo de terceiros para ilustrar seus posts, selecionou 31 Sites Onde Achar Imagens Para o Seu Blog, citando dentre eles o meu favorito, o Flickr. Já o Global Voices, que não mais é vinculado à Harvard, e se tornou uma organização independente, distribui todo o seu conteúdo livremente para quem quiser usar, desde que citada a fonte. E o mesmo acontece com vários e vários blogs, talvez outro “segmento” da Cultura Commons que já se estabeleceu como algo comum.

    Não adianta reclamar que RIAA ou MPAA estão cerceando nosso direito de compartilhamento. Nós sabemos que atacar a infra-estrutura e a tecnologia de compartilhamento é errado, mas qual o exemplo que nós podemos dar aos governos, a instituições, a sociedades, e a outros indivíduos para abraçarem a causa Commons?

    Blog Action Day 2009

    Hoje é o Blog Action Day! O dia em que blogueiros de mais de 150 países decidiram se reunir para blogar sobre as mudanças climáticas!

    A iniciativa para essa campanha é bastante louvável, e até o momento, o terceiro ano da super-blogagem-coletiva tem dado certo. Mais de 9000 blogs já se cadastraram e estão blogando sobre o assunto, inclusive este que vos escreve. Poucos são os momentos que conseguimos visualizar a grandeza da Internet com tamanha clareza atualmente, já que ela se tornou parte do nosso cotidiano.

    Apesar de sempre ter tido certo interesse pelos assuntos relacionados ao Meio Ambiente, nunca fiz questão de me tornar um defensor assíduo da causa, mas isso vem mudando com o tempo. No entanto, ainda prefiro focar minhas ações e ideias para os meios urbanos, vide que cada vez mais as populações dos grandes centros crescem e se aglomeram e as mudanças climáticas afetarão rigidamente a vida dos que habitam as metrópoles, principalmente para os pobres.

    Como parte desse Blog Action Day, quero indicar a vocês o filme HOME de Yann Arthus-Bertrand. O filme traz imagens aéreas do planeta e da influência humana nas passagens e no equilíbrio do Meio Ambiente. Várias são as vezes que se suspira diante das imagens, e um misto de vergonha e medo nos preenche com as verdades expostas de maneira tão sutil.

    Acho ainda que esse dia deve ser pensado como uma janela de oportunidade para as pessoas. São somente em campanhas assim que percebemos a totalidade da “sociedade da informação”. Das comunidades e dos fluxos informacionais que transcendem barreiras. O curioso de tudo é a contraditoriedade dos conceitos. Uma palavra que expressa isso de maneira bonita é Oxymoron: Paradoxo. Ao mesmo tempo em que blogamos nossas experiências locais, temos noção de que somos parte de um planeta cheio de gente e que tem proporções gigantescas. É uma catarse.

    No final desse Blog Action Day, recomendo ainda que tirem uns 10 ou 15 minutos de seu tempo e dêem uma passada no Flickr. Busquem uma imagem de um lugar que você queira visitar, aquele lugar que lhe faz esquentar o coração e imaginar como seria o mundo sem ele, ou simplesmente um lugar que você gosta e tem medo que desapareça. A paisagem que escolhi foi essa:

    terra

    Yann Arthus-Bertrand

    E começa a competição!

    Olá queridos leitores!

    banner_180x150Começou enfim a competição Think About It Round #2 como vocês puderam ver em alguns dos momentos curiosos da viagem à Dinamarca no post anterior. Falar sobre as mudanças climáticas é algo bastante inovador e polêmico, diga-se de passagem, na medida em que um número bem grande de pessoas acreditam ser esse movimento o maior hype da história da humanidade.

    A proposta do Centro Europeu de Jornalismo em chamar blogueiros para esse tipo de iniciativa é bastante inteligente, ao mesmo tempo que deixou muitos dos participantes com a pulga atrás da orelha um pouco antes da viagem, duvidando da credibilidade da competição. Acredito que essa iniciativa é a forma mais efetiva já criada (e mais cara) de aproximar o Jornalismo tradicional com a dinâmica da blogosfera. Exemplo disso está no fato de muitos dos blogueiros competidores têm o jornalismo como profissão.

    Passados os dias em Copenhagen, muitos blogueiros já começaram um ritmo frenético de postagens, e eu já estou preparando alguns assuntos a serem discutidos, inclusive com o vídeo que lhes prometi no post anterior sobre minhas impressões acerca da cidade e dos contatos que fiz por lá. A possibilidade de criar um network talvez seja o melhor a se aproveitar de eventos e competições como essas.

    Quais assuntos vocês gostariam de ver discutidos no blog da competição? Existe alguma história específica dentre as quais podem ser sugestões para esse blogger aqui? Pretendo traduzir todos os meus posts e reproduzí-los para o Logged-In e eventualmente para outro blog em que eu participo como autor. O objetivo da competição é que os blogueiros retratem como seu país e sua população discute o assunto das mudanças climáticas, e nada melhor que fazer um post para  convergir contribuições de pauta pelos leitores desse blog.

    Flip-MinoHD

    Cada um dos participantes ganhou uma câmera igualzinha a essa aí em cima: uma Flip MinoHD que filma na resolução 1280×720. A qualidade das filmagens é excepcional e qualquer um subestima a capacidade da câmera quando vê seu tamanho reduzido.  Penso em fazer alguns video-posts para a competição, a fim de mesclar texto, foto e vídeo e convergir tecnologias no espaço da plataforma oficial.

    E então, alguém tem sugestões a fazer? Sintam-se a vontade para tal. E não se esqueçam de visitar os meus posts nesse link ou assine o feed dos posts.

    Abs.

    Saldo de Copenhagen

    09212009988Minha visita a Copenhagen foi bastante breve, porém bastante significativa. Devo dizer que um dos primeiros pontos que percebi foi que os países em desenvolvimento como o Brasil que possuem riquezas suficientes para ingressar na luta contra as mudanças climáticas podem se beneficiar bastante do expertise dos países pioneiros nesse campo como a Dinamarca.

    Pelo que pude ver, a Dinamarca é um país organizado. Assim como a fama que a Scandinavia possui, Copenhagen é linda e organizada. O transporte público é perfeito e dá inveja em qualquer sistema de transporte brasileiro, de verdade. Tudo isso tem um preço bastante alto, mas em se tratando de um lugar cuja população tem um poder de compra 4 vezes maior que o do cidadão médio brasileiro, as coisas não são tão caras assim. O melhor de tudo, porém, é a receptividade dos dinamarqueses. Nunca imaginei que eles pudessem ser tão gentis em ajudar pessoas perdidas nas ruas da cidade (ex. eu e mais algumas pessoas da competição) e serem simplesmente gentis no dia-a-dia.

    Os pouco mais de 3 dias em que fiquei por lá foram suficientes para conhecer bastantes pessoas de diversos países diferentes. Participantes da Itália, França, Bulgária, Romênia, República Tcheca, UK, USA, México, China e por aí vai. Com tamanha diversidade de participantes, também há um número enorme de possibilidades de cobertura sobre as mudanças climáticas e os pontos-de-vista das comunidades locais, tanto de países desenvolvidos quanto dos ditos “em desenvolvimento”.

    No primeiro dia tivemos um encontro informal com todos os participantes, e pudemos ter uma idéia básica de como os nossos “concorrentes” encaram a competição. De certa forma, eu percebi que predomina um sentimento de comunidade antes mesmo da competição. Estamos mais preocupados em criar uma plataforma com conteúdo inteligente e válido para a sociedade do que em prêmios. Alguns exemplos disso são os fóruns de ajuda exclusivos para os competidores, a disponibilidade de um ajudar o outro e até mesmo a podcast, que pretende abrir um espaço de discussão entre os competidores e o público de podcasts mundial.

    No segundo dia, ou oficialmente o primeiro dia do evento, tivemos palestras com inúmeras personalidades peritos das mudanças climáticas: mesa redonda com jornalistas da Índia, Alemanha, EUA e Dinamarca; palestra do Soren Hermansen, herói do meio ambiente de 2008 pela revista TIME; dentre muitas outras palestras. No terceiro dia, visitamos a vila de Dyssekilde, uma vila ecológica que propõe um estilo de vida hiper sustentável. Todas as casas são construídas com materiais reciclados ou naturais, a alimentação sugerida é vegetariana (embora não haja uma obrigação em seguir essa dieta) e todos os resíduos são tratados na própria comunidade e o lixo reciclável dividido em 19 categorias.

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    Uma das moradoras da vila ecológica explica como funciona o processo de limpeza dos resíduos orgânicos. Utilizam as árvores para a filtragem natural dos resíduos, evitando o despejo em rios ou afluentes.

    Após a vila ecológica, alguns dos participantes foram direto para o aeroporto, enquanto outros, inclusive eu, voltamos para o hotel. Aproveitei a oportunidade para passear pela cidade, e visitar um shopping center que fica próximo ao hotel. A minha amiga de Global Voices Deborah Goldemberg, o @charlesnisz (que fez uma cobertura muito consistente do evento via Twitter) e um casal de irmãos indianos passeamos por aí até altas horas. Logo após fui jantar na casa de uma amiga dinamarquesa, a Anne Louise, minha mentee em um projeto de parceria do Global Voices com o Global Change para “ensinar” e “inspirar” novos blogueiros com ênfase em gerar discussão sobre as mudanças climáticas!

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    Eu e a Anne Louise!

    Levaria horas e horas escrevendo sobre minhas impressões sobre a cidade, mas não tornarei o texto prolixo. Logo em breve colocarei um vídeo que fiz à caminho da vila ecológica, mas por enquanto lhes deixarei com um trecho que fiz de um moinho de vento de energia eólica no Bella Centre. É incrível como essas coisas estão espalhadas por toda a cidade:

    Aqui está o vídeo prometido:

    Memories of Copenhagen from Diego Casaes on Vimeo.

    Para quem quiser acompanhar a competição pode seguir esse site: http://climatechange.thinkaboutit.eu/ ou diretamente as minhas postagens nesse link. E não se esqueçam de ver mais fotos:

    =)

    ThinkCast #003 – Até onde os ativistas das mudanças climáticas devem agir?

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    Olá pessoas!

    Saiu o terceiro episódio da ThinkCast, aquele em que eu participo.

    Infelizmente tivemos um probleminha com a gravação, por isso perdemos metade da podcast =P Mas ainda assim é legal escutar somente para ter uma idéia dos temas que estamos discutindo.

    Lembro a todos que essas três primeiras podcasts foram apenas experimentais, pois somos marinheiros de primeira viagem na produção de podcasts, portanto foi uma experiência para se familiarizar com as ferramentas de gravação, edição e testar a quantidade de podcasters em um só episódio, já que tudo é feito em conferência via SKYPE, podendo haver vários erros de conexão e qualidade de som.

    ThinkCast #003 – How Far Should Climate Change Activists Go?

    ThinkCast #003 – Até onde os ativistas das mudanças climáticas devem agir?

    Description: How far should people go to prevent climate change? Is direct action helpful? Or does it damage a cause? And how should we write about direct action as journalists and bloggers?

    Descrição: O quão longe as pessoas devem ir para prevenir as mudanças climáticas? Ações diretas ajudam? Ou causam algum dano? Como devemos escrever sobre ações diretas enquanto jornalistas e blogueiros?

    Podcasters:

    Stephen Robert Morse
    Joe Litobarski
    Benno Hansen
    Diego Casaes

    Podcast:

    http://dl.getdropbox.com/u/661704/Thinkcast-003.mp3

    Podcast lenght: 14:00

    Podcasts RSS:

    http://www.dsavic.net/category/think-about-it/thinkcast/feed/rss/

    Eu ainda não escutei a podcast inteira porque não gosto muito de minha voz no microfone e prefiro ficar sem escutá-la por algum tempo. Por favor perdoem meus tropeços idiomáticos, afinal, foi minha primeira podcast e acabei tropeçando na pronúncia de algumas palavras e no sentido de outras.

    Amanhã eu embarco para Copenhagen e no início da semana teremos 2 dias de evento sobre a competição. No primeiro dia teremos algumas palestras com peritos sobre as mudanças climáticas de todo o mundo, entre eles Tasha Eichenseher, editora da National Geographic News, Svend Olling, representante do Ministério  de Relações Internacionais da Dinamarca que está por trás da logística da COP15, Søren Hermansen, eleito um dos heróis do meio-ambiente de 2008 pela revista TIME, Mads Christensen, diretor executivo do Greenpeace para os países nórdicos e muitas outras autoridades nesse assunto.

    No segundo dia vamos para Dyssekilde, ao norte de Copenhagen (2 horas de distância). Dyssekilde é uma vila ecológica que não polui o ambiente pois toda a energia é eólica, as casas são construidas para aproveitar a luz solar e a reciclagem e tratamento de água são efetivos ao máximo.

    Durante o primeiro dia de evento creio que facilmente poderei atualizar e tomar nota das palestras pois acredito que haverá acesso wi-fi no espaço da conferência. Entretanto, como o segundo dia será dedicado à visita de campo, dificilmente teremos internet, mas trarei fotos para vocês depois, muitas fotos e o saldo do evento de abertura.

    Abraços.

    ThinkCast 002: Nós e as Mudanças Climáticas

    Segundo episódio da ThinkCast foi lançado essa semana e o terceiro já está sendo desenvolvimento e com gravação agendada para o sábado.

    ThinkCast 002: Climate changes and us

    ThinkCast 002: Nós e as Mudanças Climáticas

    Description: What is climate change and how do we respond to it? How is the media covering the climate change, where is the political backing of the efforts and how effective are the NGOs who are working in this area?

    Descrição: O que são as mudanças climáticas e como responder a elas? Como a mídia cobre o assunto, onde está o apoio político e o quão efetivas são as ONGs que trabalham nesse campo?

    Podcasters:

    Domen Savič
    Yordanka Stoyanova
    Joël Adami
    Abhishek Nayat

    Download direto: http://dl.getdropbox.com/u/661704/thinkcast-002.mp3

    RSS Feed: http://www.dsavic.net/category/think-about-it/thinkcast/feed/rss/

    Nesse sábado eu participarei da podcast, mas estamos modelando a temática já que será a última antes do evento.

    Abraços =)

    Há uma ética própria da blogosfera?

    Foto por Roberto Ortega, no Flickr.

    Foto por Roberto Ortega, no Flickr.

    Nos últimos três dias participei de um curso de extensão na FACOM – Faculdade de Comunicação da UFBA ministrado pelo professor, escritor e jornalista Francisco Karam. O curso, intitulado “A Ética Jornalística na Sociedade de Informação” procurou delinear aspectos de uma ética e deontologia (dever ser) próprios do fazer jornalístico e vincular procedimentos específicos da prática a um fazer ético desenvolvido com o tempo.

    Muito se debateu durante os três dias, e a habilidade de orador do professor Francisco é simplesmente fenomenal. Discutiu-se o papel da ética jornalística em diversos momentos da história e como a sociedade de informação e a contemporaneidade dos fatos que empurra as práticas sociais a se adaptarem, também influenciam o jornalismo e a ética do cidadão e ética no jornalismo.

    No entanto, entre perguntas e indagações do prof. Karam, algo ficou bem claro no que tange a tecnologias de informação e comunicação, jornalismo e participação cidadã nas práticas jornalísticas: não existe uma dedicação temporal por parte os cidadãos-jornalísticas ainda e talvez por isso o “título” de jornalista não possa, ou não deva, ser aplicado a essas pessoas. Há, na formação jornalística, uma estrutura que permite orientar o indivíduo à exclusividade de direitos e capacidades do jornalismo em si.

    Mas não é bem isso que quero discutir nesse post. Por se tratar de um curso de ética, e sabermos que o tempo exige adaptações de ideologias e códigos humanos outrora predominantes, fico curioso em saber se realmente há uma ética e uma deontologia típica da blogosfera, principalmente  entre blogs brasileiros, já que tanto se fala no rompimento de paradigmas informacionais e na retomada da informação por parte do público.

    Conhecemos, entre os blogs brasileiros, algums acordos de cavalheirismo típicos de blogs em qualquer lugar do mundo, mas que nem sempre se concretizam. Há aqueles que usam Creative Commons, que possuem uma linguagem diplomática e que abordam fatos (quando são blogs “jornalísticos”) de maneira bastante peculiar. Entretanto, é fácil de se achar também vários plagiadores, que copiam conteúdo sem dar a mínima pra fonte, que surrupiam fotos e que abusam do escárnio nos artigos.

    Além disso, há os tão bem-vindos comentários, que pouco adicionam para o artigo em si, e divergem até mesmo de uma ética cidadã. Talvez isso aconteça pois, como costumo dizer e bato firme nessa tecla, há ainda indivíduos que confundem a Internet, tratando-a como uma esfera anárquica em que se pode falar de tudo, para todos e de todos os modos, sem se preocupar com opiniões divergentes das suas.

    Se estendermos o conceito de blogosfera e considerarmos o Twitter como um braço dos blogs – o que realmente passou a ser – percebe-se ainda mais um ruído e um fluxo de informações desgovernado, embora útil à sua própria maneira. Uma rede de contatos do Twitter é espelho dos interesses de uma pessoa: se você segue usuários que postam bom conteúdo, o Twitter será bom para ti e será compatível a uma ética cidadã de comportamentos e práticas na web.

    Em contrapartida, se alguém usa o Twitter de maneira diferente do que se pensa ser uma rede de troca de conteúdos que vão acrescentar algo a alguém, esmaga-se a ética e se negligencia fatores importantíssimos que estão atrelados à uma nova ética da sociedade da informação e da Internet como ferramenta do conhecimento.

    Percebo que há uma certa vontade de alguns indivíduos, algo muito pontual e específico, em criar uma rede de blogs tipicamente brasileira que não estejam somente olhando para seus próprios umbigos. Blogueiros que, em cada uma de suas especificidades, sintam-se parte de algo maior e trabalhem sob um modelo deontológico fértil e criativo.

    Confesso e compreendo que, até mesmo no Jornalismo que é uma atividade de muitos e muitos anos há uma certa dificuldade em se compreender uma ética ou código de conduta – que em todos os casos há um compromisso com a verdade, verossimilhança, exatidão e precisão, como apontado nas palestra do prof. Karam. Nos blogs, as dificuldades se intensificam por causa da fluidez inexata e aparentemente incontrolável dessa mídia.

    Alguns já estão considerando blogs como espaços antigos da Internet, que nada mais significariam para a geração do efêmero no Twitter e em outros serviços de microblogging espalhados pelo ciberespaço. Mas será que já utilizamos todas as potencialidades dos blogs? Mesmo sendo recente nesse assunto – ou justamente por causa disso – acredito que o caminho é inverso, sentimento que muitos blogueiros compartilham comigo. O Twitter e outras ferramentas são braços, mas é no blog que se trabalha as ideias com mais dedicação, pesquisa e atenção. Não seria esse o momento de pensar em uma ética própria da blogosfera? Talvez expressa em um manifesto, quem sabe?

    A ética, nesse sentido, e a deontologia na atividade dos blogs, permitiria repensar conceitos e práticas, além de metodologias, dos diversos tipos de blogs espalhados pela rede. Pensar de acordo com uma ética criteriosamente voltada aos blogs e suas peculiaridades garantiria a longevidade do ato de blogar, conferindo um status que eventualmente conseguiria capturar a atenção da sociedade para dar crédito aos blogs como espaços criativos e informacionais.

    Muitos blogueiros brasileiros vivem ocupados em discussões bilaterais de insultos e trolls, além dos eventuais cochichos e escárnios disparados quando um ou outro post diverge das opiniões do leitor. Acredito que esse seja um dos principais problemas que deveríamos tratar mais cautelosamente, mas que infelizmente é reflexo da sociedade brasileira como um todo, tipicamente mal educada, arrogante e aversa aos valores éticos e morais, apesar de aparentemente dizerem defendê-los.

    Não consigo enxergar atualmente um ética própria da blogosfera brasileira. Vejo indícios de que está se criando um conceito próprio de blogs no Brasil, que vai desde o entretenimento até o ativismo político e ambiental. Isso é, sem dúvida, um fato. Mas não há códigos explícitos de como se deve agir nas relações entre blogs, nos contatos com o leitor e nas referências a um ou outro blog. A ética que existe agora é a ética do cidadão comum transplantada para a Internet, mas que não contempla todos os aspectos do cotidiano digital.